bloqueios à mudança

Os 5 bloqueadores da mudança

“A mudança é assustadora quando não fazemos parte dela!”

O sentimento de pertença é uma das necessidades mais básicas identificadas no ser humano, enquanto ser iminentemente social.

Todos nos sentimos parte de uma família, de uma cidade, de uma equipa ou de uma organização. Todos pertencemos a um grupo e queremos que esse seja reconhecido, o melhor, o vencedor.

No entanto, todos os dias, estes grupos e organizações a que pertencemos revelam as suas características, positivas e negativas. Constatamos a diferença entre o que são no presente e o que gostávamos que fossem no futuro. Mas o que fazer para que seja possível um futuro diferente para melhor, através de um processo de mudança positiva? Provavelmente, a resposta será diferente consoante a realidade de cada um, mas é possível encontrar pontos em comum que não podem, nem devem, ser esquecidos.

A pergunta crucial é esta: o que é que nos separa da equipa que todos queremos ter? Dinheiro, melhor conjuntura, melhores políticas e até instituições? Certamente tudo isto criaria melhores condições para a mudança, mas faltaria o mais importante de tudo: uma nova atitude. Sem ela não é possível mudar, muito menos mudar para melhor. Para que a mudança aconteça, para mudarmos os resultados, precisamos de começar por mudar a atitude. Só assim seremos construtores de mudança e criaremos melhores equipas.

Veja mais: PALESTRA EQUIPAS VENCEDORAS!

No entanto, para que a viagem dessa mudança aconteça é preciso ter atenção aos bloqueadores que podem aparecer pelo caminho:

1º Bloqueador da mudança: “Eu não tenho culpa!”

Este é um processo cultural que temos enraizado à nossa volta e que nos educa a desresponsabilizarmo-nos constantemente. A ter uma desculpa pronta mesmo que não cheguemos sequer a precisar dela. A viver na ilusão de que o mundo está em dívida connosco e a qualquer momento tem de nos pagar. E pensando assim, nunca iremos pensar profundamente sobre o que podemos fazer para mudar e para fazer melhor.

Veja mais: PALESTRA O CASAMENTO DA CULPA!

2º Bloqueador da mudança:  “Raramente me engano e nunca tenho dúvidas!”

Importa assumir que o caminho até ser excelente, em qualquer área, além de longo, é sinuoso e exigente. É óbvio que vão acontecer erros! É óbvio que haverá algo a melhorar. Sempre. Quando começamos a intervir numa certa área, temos de admitir que, no princípio, somos muito maus e precisamos de aprender. Daqui, exige-se que criemos oportunidades de aprendizagem, momentos de treino, “treinar como se joga” para que este processo decorra num contexto de exigência, rigor, dificuldade, superação, sempre aproximado à realidade. Ora, se o processo segue esta linha e no início somos muito maus, certamente que vamos cometer erros e não há problema nenhum nisso. O problema existe apenas se persistirmos em cometer os mesmos erros ou, por outro lado, se os ignorarmos.

Ainda relativamente aos erros, convém referir que a dificuldade em admitir os nossos erros, o impacto que isso tem nos nossos colegas e na nossa equipa, se reproduz na medida em que toleramos os erros dos outros. Ou seja, sabendo o que sentimos e pensamos perante os erros dos colegas, essa perceção do erro afeta, não só o nosso auto diálogo, como também o relacionamento interpessoal, principalmente se estamos “treinados” a ser pouco tolerantes e a não admitir que todos podemos errar. É preciso criar o contexto certo para que se possa errar com o mínimo de impacto possível nos resultados e que daí resultem aprendizagens e melhorias para potenciar o futuro.

Veja mais: PALESTRA HERRAR É UMANO!

3º Bloqueador da mudança “O talento basta para ter sucesso!”

Raramente se vê o êxito e a consagração como resultado do esforço, do treino e do trabalho como um investimento que vem lá de longe, muito a montante, pensado a longo prazo. Vemos os heróis de hoje sem saber o que foram ontem, sem imaginar pelo que passaram e amanhã… já nos esquecemos. Há alturas em que acreditamos num sucesso tipo fast-food ou desenrascado no micro-ondas. Outras vezes atribuímos o que nos sucede (de bom ou mau) a forças invisíveis que parecem comandar os resultados, como a sorte ou o destino. É comum, por exemplo, em reportagens sobre grandes desportistas, ouvir relatos de profissionais que com 10 anos já marcavam muitos golos ou treinavam duas vezes por dia. E depois vemos como são atualmente. Fácil, simples… como se nesse espaço de tempo não estivesse tudo aquilo que os levou a atingiram a excelência!

O treino, o método, a repetição, os erros, o feedback, a melhoria contínua que conduziram ao sucesso. Somos socialmente conduzidos a valorizar muito mais o sucesso imediato, os novos ídolos que surgem quase por geração espontânea sem compreender que aquilo que conhecemos é apenas a ponta do icebergue: o que sustenta esse brilho que conhecemos é uma base muito maior do que aquilo que imaginamos. Muitas horas de treino e de dedicação, de pequenos avanços e recuos. Os desportistas são um bom exemplo, pois no auge do seu rendimento, investem anos e anos de treino para poderem melhorar 1 milésimo de segundo ou 1 centímetro na sua performance!

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Bloqueador da mudança – “Quem me critica meu inimigo é!”

Temos, regra geral, pouca tolerância com quem nos corrige e nos critica, mesmo quando o faz num sentido positivo e construtivo. Somos pouco tolerantes ao chamado feedback negativo, mesmo quando ele é dado ao comportamento observado e não ao carácter da pessoa. Estas “críticas” são vistas como ataques pessoais e não como oportunidades de melhoria… e a diversidade de opiniões e de visões, entre quem fez e quem observou, é vista como algo negativo, em vez de algo rico e estimulante. Se é difícil elogiarmos sinceramente alguém que faz bem o que é pago para fazer (como se isso fosse tudo!), temos ainda mais dificuldade em dar um feedback assertivo. Temos dificuldade em dizer não, em dizer basta e em dizer o que tem de ser dito. Se não for dito a alguém o que essa pessoa tem de melhorar, como é que ela pode melhorar? Será que essa pessoa sabe sequer o que precisa de melhorar?

5º Bloqueador da mudança: “Mudam-se as palavras muda-se a realidade!”

Nenhuma mudança significativa se opera simplesmente pelo conhecimento ou pelas intenções, por melhores que sejam. Só mudamos aquilo que somos capazes de fazer, fazendo-o de forma diferente. Por isto, não basta saber e dizer, é preciso realmente fazer! É preciso transformar ideias em iniciativas, intenções em comportamentos, desempenhos em resultados. Perante qualquer desafio, por mais exigente que seja, todos sabem o que há a fazer. Mas será que fazem tudo o que sabem? Será que fazem tudo o que dizem? Será que fazem tudo o que podem? Não interessa se sabemos o que tem de ser feito. Interessa se o fazemos ou não. Mudar o discurso não chega, é preciso mudar as atitudes e colocar isso em prática.

Estes cinco bloqueadores da mudança fazem parte do nosso dia-a-dia, muitos deles constituídos como hábitos instalados ou como “raízes culturais”, importa reforçar a responsabilidade que cada um de nós deve assumir: é a responsabilidade de fazer diferente para melhor. É assumir a responsabilidade de se preocupar genuinamente com as outras pessoas e de valorizar os seus contributos; assumir os erros e entendê-los como oportunidades de aprendizagem; aceitar as opiniões e feedbacks para melhorar a cada dia; treinar, trabalhar e persistir continuadamente para potenciar as nossas competências.

O processo de mudança não passa pelo que se diz… passa pelo que se faz! Porque quando se trata de mudar para melhor, ontem já era tarde…

Ver também: “Da Geração Y à Geração Z, a primeira geração verdadeiramente digital!
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