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Criatividade, Flow & Design Thinking

Quero criar um local de trabalho onde os engenheiros possam sentir a alegria da inovação tecnológica, atentos à sua missão para a sociedade e trabalhar com a paixão no coração”.

Masaru Ibuka, co-fundador da Sony.

 

Masaru Ibuka revela-nos, assim, o que é o estado de flow numa empresa.

 

Mihaly Csikszentmihalyi, psicólogo húngaro e um dos mais citados atualmente, criou o conceito psicológico de flow: Um estado mental altamente focado, que pode ser experienciado no trabalho, a ler um livro, a dar uma aula, a correr, a escrever… Existem elementos comuns que indicam o que é estar no estado de flow: 1) estar completamente concentrado; 2) sensação de êxtase; 3) enorme clareza: saber exatamente o que quer fazer em cada pequeno momento e ter feedback instantâneo; 4) o que tem de ser feito é possível fazer apesar das dificuldades; 5) foco no presente faz perder o sentido do tempo; 6) sensação de serenidade: não se preocupa consigo, sente que faz parte de algo maior; 7) motivação intrínseca: o significado do que faz é recompensador per si.

 

Quem não gostaria de experienciar estes estados de flow? E que relação tem com os processos criativos?

 

Ainda que o estado de flow possa ser experienciado em contextos diversos como os enumerados e gerando verdadeiros sentimentos de felicidade, também faz parte dos processos mentais subjacentes ao pensamento divergente – aquele cujo objetivo é encontrar o maior número possível de soluções para um problema.

 

Não deveríamos fomentar nas nossas vidas a capacidade de evoluir e criar? Haverá uma rotina mental por detrás de um qualquer “eureka!”? Poderá ser treinada? Serão estes os processos mentais superiores por excelência? Os mesmos que nos fazem emocionar na intensidade de uma obra de Paula Rego ou numa composição de Beethoven, a esperança de almejar a perfeição…

 

A resposta é claramente positiva. E, daí, o sucesso da abordagem do Design Thinking. A procura de soluções para problemas complexos tornou-a numa das metodologias com mais sucesso, quando o tema é fomentar a criatividade em busca de soluções inovadoras, desejadas pelos utilizadores, que sejam financeiramente viáveis e tecnicamente possíveis.

 

Trata-se da capacidade de envolver de forma colaborativa perspetivas multidisciplinares, assentes na empatia, no conhecimento profundo das necessidades do ser humano perante um determinado problema, procurando responder a questões como “isto faz sentido?” “Qual é o real problema que as pessoas têm?” “O que satisfaria as reais necessidades? O que criaria significado e geraria valor?”. Outro pilar desta abordagem é a experimentação - fazer de novo e testar não é encarado como um desperdício de tempo e dinheiro, mas como uma forma acelerada de identificar as falhas e aprimorar a ideia o quanto antes, evitando que ocorra a infeliz descoberta que a solução não funcionava, que todo o investimento foi desperdiçado numa ideia fraca e sem sentido. Por isso, o objetivo é “pensar com as mãos” e “falhar muitas vezes na prototipagem para ter sucesso o quanto antes”.

 

Como seria se no nosso trabalho nos envolvessem mais na resolução de problemas? Como seria se os estados de flow acontecessem com a nossa procura de significado para aquilo que fazemos? Seria tão bom como se todas as empresas do mundo perspetivassem as reais necessidades do ser humano como base dos seus projetos… Seria bem melhor viver neste planeta!

 

Artigo escrito por Vera Fernandes.

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