Valorizar os Espaços de Trabalho

O prazer no trabalho aperfeiçoa a obra. Aristóteles

Empresas como a Google e a Pixar têm manifestado particular interesse no envolvimento dos colaboradores na decoração dos espaços de trabalho. De facto, estudos demonstram que esta medida não só tem impacto positivo no bem-estar individual, como também potencia um aumento na produtividade de cerca de 30%[1]. Porquê?

O papel das condições de trabalho nos índices de produtividade já é, sem dúvida, uma questão irrefutável na gestão organizacional. Cada vez mais são investidos esforços no sentido de proporcionar um ambiente harmonioso e acolhedor, pelo que dar voz e poder de decisão aos colaboradores acerca da organização e decoração do seu espaço laboral é, efetivamente, uma estratégia a privilegiar. Desta forma, é dada uma oportunidade a cada colaborador para deixar a sua “marca” no local de trabalho, conferindo-lhe uma maior familiaridade com o mesmo. Paralelamente são manifestados sentimentos de confiança e de valorização pessoal por parte da direção, que se refletem na otimização dos níveis de motivação, envolvimento e compromisso das equipas.

Como operacionalizar esta medida?

Algumas empresas, como por exemplo, a Pixar, Apple, Google e a Lego, optaram por alinhar a decoração dos seus escritórios com a sua cultura organizacional. Assim, além de ser criado um ambiente coerente com a imagem que a marca ambiciona passar para o exterior, esta é também uma forma de reforçar os valores, o que por si só tem consequências positivas no desempenho, logo na produtividade e crescimento do negócio. Neste sentido, enquanto a Pixar, a Google e a Lego marcam a diferença pelo registo divertido, contendo por exemplo sofás com formas invulgares, escorregas em vez de escadas, e espaços de convívio com alguns jogos, a Apple apresenta, por sua vez, um design mais minimalista, associado à simplificação de uso dos seus aparelhos.

No entanto, para que sejam alcançados os resultados desejados, é pertinente que num primeiro momento sejam auscultadas as perceções dos colaboradores relativamente a este tipo de intervenção. Por um lado, é fundamental analisar em que medida estão satisfeitos com as atuais condições físicas de trabalho e que sugestões gostariam de ver implementadas para que sejam correspondidas as suas necessidades. Por outro lado, importa perceber de que forma as equipas gostariam de ser envolvidas neste processo. Preferem pintar as paredes ou apenas escolher as cores? Priorizam o investimento num espaço de lazer, por exemplo com televisão e sofás, ou no aprimoramento da copa? Estas são, sem dúvida, questões primordiais para surtir o efeito final expectável!

De acordo com estudos recentes da Psicologia e das Neurociências, determinadas caraterísticas do espaço e do próprio mobiliário têm influência na otimização dos escritórios. Referimo-nos, por exemplo, ao uso de plantas e janelas, sendo que estas ajudam a recuperar de atividades exigentes e a reduzir os níveis de stress, e o evitamento de espaços abertos que, apesar de estarem frequentemente associados ao trabalho coletivo, potenciam a exposição a barulhos, distrações e falta de privacidade. Do mesmo modo, podemos tirar vantagens da cor e da luz, na medida em que diferentes tonalidades produzem efeitos psicológicos diferentes, nomeadamente a exposição ao azul e verde está associada à melhoria no desempenho em atividades que exijam a criação de novas ideias, e a exposição a níveis superiores de luz tem influência no pensamento analítico e avaliativo. Outra sugestão será optar por mobília com curvas, em vez de linhas retas, estando este tipo de ambiente relacionado com emoções positivas e, por isso, com impacto positivo nos índices de criatividade. Contudo, cada caso é um caso! Assim, o importante será atender às especificidades de cada empresa, equipa e condições físicas disponíveis.

[1] Fonte: University of Exeter’s School of Psychology (2010)

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