A “discussão” sobre a Cultura e Identidade no trabalho!

“A Cultura é concebida como um conjunto de valores e pressupostos básicos (…) e tanto age como elemento de comunicação e consenso, como oculta e instrumentaliza as relações de poder.” Fleury e Fischer (1989)

Atualmente a discussão sobre a Cultura e Identidade no trabalho está cada vez mais em voga, contudo apesar de se tratarem de conceitos similares, no plano organizacional mostram-se particularmente distintos. O termo Cultura no contexto de trabalho traduz-se na forma como os negócios são conduzidos, ou seja, trata-se do conjunto de comportamentos e valores morais e éticos que se desenrolam no processo das relações empresariais.

Chiavenato (2004) enumera uma vertente formal constituída pelos métodos, tecnologia, objetivos e políticas que são apenas uma pequena parte da Cultura Organizacional. Por outro lado, a vertente informal – mais ampla – engloba as perceções, sentimentos, normas e valores do grupo. Assim, esta última é mais dificilmente compreendida e menos suscetível a modificações. Neste sentido, cabe às empresas a tarefa de orientar, de acordo com as normas acordadas, o trabalho dos seus colaboradores para que possam interiorizar a cultura da empresa e adotar um comportamento congruente com as normas de funcionamento da mesma.

Logicamente, todas as empresas possuem uma cultura distinta mas existem casos, como o das empresas multinacionais, onde esta questão deve ser conduzida com especial atenção. A nível formal, a empresa pode manter os seus preceitos, contudo, deve ter em linha de conta que de país para país as estratégias de negócio são dissemelhantes. Relativamente à componente informal constata-se que, tal como no caso anterior, devido às diferenças entre os países, as normas e valores dos colaboradores são distintas e isto traduzir-se-á em novas formas de experienciar o trabalho.

No que diz respeito à Identidade Organizacional é possível inferir que está intimamente ligada com as relações de poder desenvolvidas no contexto de trabalho. Devido à necessidade que cada indivíduo tem de assumir um papel, este acabará por se aproximar do grupo com papéis similares, de modo a desenvolver a chamada mentalidade coletiva.

Existem vários modelos identitários dentro de uma empresa que estão relacionados com outros fatores, como a identificação com a empresa e as diferenças entre o passado e o presente da mesma. Isto pois, as organizações vão sendo sujeitas a diferentes mutações ao longo dos tempos e os seus colaboradores tendem a fazer balanços, podendo isto influenciar as suas perceções positivas e negativas do contexto de trabalho. A questão da identificação com a empresa está relacionada com o sentimento de compromisso, isto é, quanto maior for a identificação com os preceitos da organização maior será o empenho e sentimento de responsabilidade.