Ser empático é ver o mundo com os olhos do outro e não ver o nosso mundo refletido nos olhos dele. Carl Rogers

Competência essencial. Ingrediente secreto. Chave que abre portas no mundo profissional e pessoal. A empatia é uma palavra de valor acrescentado com o poder de otimizar relações.

Já todos nós sentimos alguma vez a empatia de professores ou de amigos sensíveis; já todos nós ficámos espantados com a sua falta em chefes ou líderes pouco sensíveis. Mas, na vida das empresas, é raro que alguém seja elogiado — menos ainda, recompensado — por ter esta capacidade. A própria palavra parece pouco adequada ao mundo dos negócios, parece um conceito estranho à dura realidade do mercado. Mas empatia não é uma vontade piegas de estar sempre de acordo com os outros. Não significa que, para agradar a todos, os líderes devam adotar como suas as emoções das outras pessoas.

Mas, afinal, o que é a empatia?

A empatia é a capacidade de “calçar os sapatos do outro”, de se identificar e de compreender os seus sentimentos e reações imaginando-se nas mesmas circunstâncias. É a vontade de escutar e de conhecer a perspetiva da outra pessoa e, dessa forma, melhor entender o seu comportamento e decisões em determinadas situações. Enquanto a simpatia é uma resposta maioritariamente intelectual, a empatia é uma fusão entre cognição – compreensão da perspetiva psicológica do outro – e emoção – experimentação das reações emocionais que o outro está a sentir.

Um dos pilares da empatia passa pela autogestão das emoções, mas isso significa expressá-las de forma adequada, em vez de as abafar. As pessoas dotadas de empatia têm excelentes capacidades para reconhecer e satisfazer as necessidades dos outros, bem como dos clientes, em última análise. Têm o ar acolhedor de quem quer ouvir o que os outros têm a dizer. Escutam com atenção, apanham as verdadeiras preocupações das outras pessoas e reagem atempadamente e de forma adequada. Por isso, esta é uma skill essencial no século XXI, também para as empresas, para que estas consigam reter os melhores talentos: os líderes precisaram da empatia para motivar e reter os melhores colaboradores. Por fim, na atual economia crescentemente globalizada, a empatia é crucial tanto para facilitar a relação entre variados interlocutores, como para fazer negócios com pessoas de culturas diferentes. O diálogo intercultural é presa fácil de equívocos e más interpretações. A empatia funciona como um antídoto que sintoniza as pessoas com as subtilezas da linguagem corporal e que lhes permite entender as mensagens emocionais que se escondem por detrás das palavras.

Adaptado a partir de: Goleman, D; Boyatzis, R. & Mckee. “Os Novos Líderes – A Inteligência Emocional nas Organizações”. (2011). 4ª edição. Lisboa: Gradiva